domingo, 26 de abril de 2015

De objeto à Sujeito




Independente do contexto, a condição mais ultrajante que o ser humano pode se colocar ou ser posto é a de objeto, nessa condição, toda a sua complexidade constituinte é negada.
Tal complexidade produz demandas sócio-ambientais, desde as mais básicas que estão na ordem da sobrevivência até as mais sofisticadas que tratam da dimensão ética e moral, política e cultural ou psicológica e emocional. Todas negligenciadas ou manipuladas dentro da relação objetal.
Sem dúvidas, a formação humanista (compreendida em sentido amplo para além do contexto acadêmico) e o autoconhecimento, são recursos fundamentais a serem desenvolvidos para que os indivíduos possam ser conscientemente sujeitos de direitos e de deveres, dotados de pensamento crítico, capazes de realizar escolhas com discernimento e lucidez, sem cair nos enlaces manipuladores da insensatez própria ou alheia.
Esse percurso a ser transcorrido significa efetivo avanço no desenvolvimento da autonomia e consequente emancipação das habituais circunstâncias que nivelam por baixo a existência humana e a sua real condição, essa trajetória convida o ser humano a ser senhor de si para sua necessária e real emancipação.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

As Marias



Eram três belezas,
Deusas da sublime realeza,
Adoradoras do tempo,
Governadoras dos ventos.

De olhos postos para o passado,
Com olhar de lince assas profundo,
Volviam os mistérios do mundo.

Eram três Marias,
Que caminhavam lado a lado,
Brincavam com as horas, 
Soltando as eras, 
Qual veloz cavalo alado.

De olhos postos para o futuro,
Transpassavam as barreiras do muro.
Sem turvar a visão,
Reservavam a esse tempo,
A mais nobre aspiração.

De olhos postos para o presente,
Nos diziam: Jamais te ausentes!
Derramavam bênçãos nessa estação,
Convocando os homens à transformação.



Da Liberdade em sociedade



Os direitos e as liberdades não são inerentes ao homem como tal... Foi a sociedade que consagrou o indivíduo e o tornou eminentemente digno de respeito. A sua emancipação progressiva não implica um enfraquecimento, mas antes uma transformação dos laços sociais... O indivíduo submete-se à sociedade, e essa submissão é a condição da sua libertação.
A liberdade consiste, para o homem, na sua libertação das forças físicas, cegas e irracionais; consegue-o opondo-lhes a grande força inteligente que é a sociedade, sob cuja proteção se acolhe. Colocando-se sob a proteção da sociedade, torna-se também ele, até certo ponto, dependente dela. Mas esta dependência é libertadora.
Constitui, pois, um erro básico acreditar que a autoridade moral e a liberdade opõem e se excluem mutuamente; uma vez que o homem só obtém a liberdade de que goza devido ao fato de ser membro da sociedade, tem de se sujeitar à autoridade moral que a existência da sociedade pressupõe. Isto não constitui um paradoxo, pois ser livre não é fazer o que nos agrada, é sermos senhores de nós mesmos.
A disciplina, no sentido do controle interior dos próprios impulsos, é uma componente essencial de todas as regras morais. A perspectiva que equipara inerentemente a disciplina a uma limitação da liberdade humana e da auto-realização do homem é errônea. Não há nenhuma forma de organização da vida que não obedeça a princípios regulares e bem definidos; o mesmo acontece em relação à vida social.
A sociedade é uma organização das relações sociais, implicando, portanto uma regulamentação do comportamento de acordo com os princípios estabelecidos, que na sociedade são obrigatoriamente as regras morais. Só a aceitação da regulamentação torna possível a vida social, permitindo ao homem colher os benefícios que a sociedade lhe faculta. 

Durkheim em Capitalismo e a Moderna Teoria Social de Anthony Giddens (p.170-171).